foi para ver-te correr que abri a porta
e sem saberes te segui até à rua
corrias com o cabelo liso e escorrido a pender-te até aos ombros
de uma cabeça oscilante
que deitavas para um lado e para outro, ao ritmo dos pés que batiam
no chão
como um tambor para o teu devaneio
os braços estavam esticados
e parecias tanto um boneco como a criança que ainda há em ti
quase podia ouvir a canção que só tu
ouvias e te fazia saltitar
lia-te a felicidade de onde estava...
e chorei.
tu sabes que às vezes eu choro
depois destes anos continuas a perguntar-me porquê.
eu respondo sempre que não estou a chorar
mas as lágrimas chamam-me mentiroso
tu não dizes nada
o silencio instala-se e ficamos sempre nesta terna cumplicidade
eu sei que tu sabes porque eu choro
mesmo que não me compreendas
quarta-feira, 28 de maio de 2008
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