há coisas que precisam de datas
porque não são agora
tinha 28 anos
mas antes disso era uma criança
linda ao que sei
nasceu bonita como os bebés
cresceu linda como as meninas
tornou-se deslumbrante como as mulheres
haviam luzes e som em volta
o chão foi vermelho para ela
e as mãos aplaudiam quando passava
descolou do chão tantas noites e tantas manhãs...
elevou-se e girou e foi invejada
e recortada das revistas.
tantas noites e tantas manhãs...
mas uma manhã alguma coisa tinha mudado
e nunca mais foi igual.
entrou na escuridão, lenta e devagar
e ninguém conseguiu acender a luz
ninguém conseguiu mostrar-lhe que o chão se tornava vermelho
já não tinha forças para se levantar do chão
tornou-se diferente das mulheres
mais vazia que as meninas...
e morreu
sem conseguir dizer ao seu corpo que
queria viver.
ela sabia que estava errada
mas não conseguiu estar certa
há coisas que não são fáceis de entender
como será que olhava para o futuro?
antes, no passado...
antes de isto se ter passado?
quem fez isto? quem ditou as leis?
quem tomou as decisões?
.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
tempos
- olá, minha querida, estás a dançar para nós?
- estou a dançar para mim
....
tantas coisas por fazer nesta lista de tarefas,
porquê esta insatisfação de imortal?
quero ser terreno, com prazeres terrenos e
a luxúria dos terráqueos
todas as canções que fizemos os dois, com braços
e pernas e gestos harmónicos
foram um improviso
extemporâneo de dois solistas do mesmo instrumento,
cujos sons vivem de desgarradas e duetos talentosos
sobre um ciclo de acordes que imaginámos sem fim.
mas não há nada sem fim, nem há improviso eterno
que não esteja condenado à repetição, ou a falhar.
agora um improviso de dois solistas talentosos
que se encontram pela pela primeira vez nas tabelaturas
de uma canção...
ahh! deixa-me viver mais para te mostrar.
7.02.2007
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- estou a dançar para mim
....
tantas coisas por fazer nesta lista de tarefas,
porquê esta insatisfação de imortal?
quero ser terreno, com prazeres terrenos e
a luxúria dos terráqueos
todas as canções que fizemos os dois, com braços
e pernas e gestos harmónicos
foram um improviso
extemporâneo de dois solistas do mesmo instrumento,
cujos sons vivem de desgarradas e duetos talentosos
sobre um ciclo de acordes que imaginámos sem fim.
mas não há nada sem fim, nem há improviso eterno
que não esteja condenado à repetição, ou a falhar.
agora um improviso de dois solistas talentosos
que se encontram pela pela primeira vez nas tabelaturas
de uma canção...
ahh! deixa-me viver mais para te mostrar.
7.02.2007
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
é mais romântico
fujo de companhias porque
assim é mais tolerável a solidão que conheço.
a solidão com outros é insuportável
comigo é mais poética.
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assim é mais tolerável a solidão que conheço.
a solidão com outros é insuportável
comigo é mais poética.
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quarta-feira, 6 de outubro de 2010
mundo aos pedaços
alguém espalhou pedacinhos de mim
bem pequeninos por toda a parte
eu sei que são meus, porque quanto mais conheci
mais me encontrei
portanto o mundo está cheio de mim
pequenino
espalhado
para um dia eu próprio recolher
(sem pressa)
devagarinho, apanhar-me de toda a parte
e ser cada vez maior
cada vez mais eu
cada vez mais o mundo.
o mundo sou eu em ponto grande
porque antes de viajar, eu já era esse mundo
apenas não me tinha encontrado lá, comigo
eu sei que estou atrasado
há tanto mundo para ser ainda...
lá irei, lá irei
agora tenho outras coisas para fazer
e os meus bocadinhos, podem esperar mais
um bocadinho
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bem pequeninos por toda a parte
eu sei que são meus, porque quanto mais conheci
mais me encontrei
portanto o mundo está cheio de mim
pequenino
espalhado
para um dia eu próprio recolher
(sem pressa)
devagarinho, apanhar-me de toda a parte
e ser cada vez maior
cada vez mais eu
cada vez mais o mundo.
o mundo sou eu em ponto grande
porque antes de viajar, eu já era esse mundo
apenas não me tinha encontrado lá, comigo
eu sei que estou atrasado
há tanto mundo para ser ainda...
lá irei, lá irei
agora tenho outras coisas para fazer
e os meus bocadinhos, podem esperar mais
um bocadinho
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010
casa
são casas como esta,
pequenas construções felizes
dentro de nós.
pequenas fortalezas de memórias
de sonhos
que um dia foram mais do que isso.
elas fazem tudo valer a pena.
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pequenas construções felizes
dentro de nós.
pequenas fortalezas de memórias
de sonhos
que um dia foram mais do que isso.
elas fazem tudo valer a pena.
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quarta-feira, 9 de junho de 2010
promessas devagar
sou um lugar onde as promessas morrem devagar
onde viveram sonhos que são praticamente eternos
onde sopra o vento por soprar
sem Norte ou Sul sem saber quem leva
o céu negro mas sem dor corre
mil léguas por segundo para me libertar
do sufoco da solidão
não há liberdade
não há esperança e o ar é espesso e
o ar é frio e
há um desvanecer lento, um definhar indolor.
um lugar de promessas devagar, devagar, devagar
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onde viveram sonhos que são praticamente eternos
onde sopra o vento por soprar
sem Norte ou Sul sem saber quem leva
o céu negro mas sem dor corre
mil léguas por segundo para me libertar
do sufoco da solidão
não há liberdade
não há esperança e o ar é espesso e
o ar é frio e
há um desvanecer lento, um definhar indolor.
um lugar de promessas devagar, devagar, devagar
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sexta-feira, 21 de maio de 2010
um dia deixo de ser o que nunca fui
hoje sou um caderno rasgado, onde costumavam
existir os números de telefone de pessoas que já
pouco importam. Agora pouco importam os sonhos
que viveram nas minhas páginas.
vividos, perdidos, e nenhum por chegar.
(sou os sonhos perdidos de Santiago)
por isso repouso rendido à negridão do asfalto,
onde o esquecimento me chove em gotas perseverantes,
que desbotam os números para cima do meu
branco amolecido.
as hesitações, as promessas de que fui um instrumento
(ou de que nunca cheguei a ser mas das quais certamente
fui testemunha)
(sou testemunha presencial dos sonhos perdidos de Santiago)
se me esvair junto com esta chuva, vou fundir-me nela,
vou certamente deixar
de ser o que nunca fui.
estou a desbotar para cima do meu branco.
e o tempo não para.
e os ponteiros do relógio não guardam
memórias do amanhã que podia ter sido hoje.
velha dor repetida.
2/2007
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existir os números de telefone de pessoas que já
pouco importam. Agora pouco importam os sonhos
que viveram nas minhas páginas.
vividos, perdidos, e nenhum por chegar.
(sou os sonhos perdidos de Santiago)
por isso repouso rendido à negridão do asfalto,
onde o esquecimento me chove em gotas perseverantes,
que desbotam os números para cima do meu
branco amolecido.
as hesitações, as promessas de que fui um instrumento
(ou de que nunca cheguei a ser mas das quais certamente
fui testemunha)
(sou testemunha presencial dos sonhos perdidos de Santiago)
se me esvair junto com esta chuva, vou fundir-me nela,
vou certamente deixar
de ser o que nunca fui.
estou a desbotar para cima do meu branco.
e o tempo não para.
e os ponteiros do relógio não guardam
memórias do amanhã que podia ter sido hoje.
velha dor repetida.
2/2007
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sexta-feira, 9 de abril de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
o problema são as derivadas
há alturas em que somamos dias às costas
sem saber porque somamos
andamos autómatos e não olhamos para o lado sequer
é tudo simples, é tudo prático, é tudo funcional
é só somar
é confuso demais
saber que há subtracções, divisões, multiplicações, raízes quadradas,
exponenciais, primitivas e principalmente derivadas
e depois ficamos espantados porque derivado disto
torna-se a vida desinteressante
monótona, igual
se não tivermos cuidado, talvez
a vida se torne uma soma de dias
sem a paixão do que somos
sem os erros da paixão
sem o remorso de errar
sem pedir desculpas pelos remorsos
sem chorar pelo que somos, felizes e infelizes
e eu não sei se vale a pena viver sem chorar
sem saber porque somamos
andamos autómatos e não olhamos para o lado sequer
é tudo simples, é tudo prático, é tudo funcional
é só somar
é confuso demais
saber que há subtracções, divisões, multiplicações, raízes quadradas,
exponenciais, primitivas e principalmente derivadas
e depois ficamos espantados porque derivado disto
torna-se a vida desinteressante
monótona, igual
se não tivermos cuidado, talvez
a vida se torne uma soma de dias
sem a paixão do que somos
sem os erros da paixão
sem o remorso de errar
sem pedir desculpas pelos remorsos
sem chorar pelo que somos, felizes e infelizes
e eu não sei se vale a pena viver sem chorar
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