terça-feira, 3 de maio de 2011

dias de cão

apeteceu-me rir
o cão sorria
penso em mim e sorrio
o meu coração é tão vadio...
se me ouves põe-me uma trela,
disciplina-me no elevador,
leva-me a passear só de manhã e à noite.
e depois serve-me uma boa dose do teu pedigree para eu
devorar com os meus caninos
-lamber-me até babar o chão, lamber-te as feridas
ladrar a gatunos, morder se mandares -
e tanto sou tudo para ti como não sou nada.
a verdade é que serei tudo onde estiver.

ou em ti ou em mim, ou em nós
escolhe porque podes tudo,
e a mim...
pouco me importa.

eu disse que era um cão vadio...



2007
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sábado, 23 de abril de 2011

mordaça

como ninguém, conheço
a angústia do desejo de me fazer entender.
mais ainda, de fazê-los compreender.


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somos dois

só depois de pensar
somos dois aqui
agora
somos dois
neste exacto momento, nestas palavras
à esquerda escavo um abismo
para ser mais parecido comigo, à direita
são apenas luzes da ribalta
que me fazem ver melhor quem sou


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segunda-feira, 7 de março de 2011

presta atenção com esses teus olhos
que em todo o lugar não vêm
senão fogo;
que o mundo é mais do que as chamas
que registas e compreendes.

há lugares mornos de quietude
em que a medida te é desconhecida.

aos lugares que desconheces e que tocas
com as tuas mãos,
essas labaredas da tua combustão espontânea,

da-lhes o nome de estrelas.

essas constelações que estão tão distantes de ti
como o mundo.


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