quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

foi

há coisas que precisam de datas
porque não são agora

tinha 28 anos
mas antes disso era uma criança
linda ao que sei

nasceu bonita como os bebés
cresceu linda como as meninas
tornou-se deslumbrante como as mulheres

haviam luzes e som em volta
o chão foi vermelho para ela
e as mãos aplaudiam quando passava
descolou do chão tantas noites e tantas manhãs...

elevou-se e girou e foi invejada
e recortada das revistas.
tantas noites e tantas manhãs...

mas uma manhã alguma coisa tinha mudado
e nunca mais foi igual.
entrou na escuridão, lenta e devagar

e ninguém conseguiu acender a luz
ninguém conseguiu mostrar-lhe que o chão se tornava vermelho
já não tinha forças para se levantar do chão

tornou-se diferente das mulheres
mais vazia que as meninas...
e morreu

sem conseguir dizer ao seu corpo que
queria viver.
ela sabia que estava errada
mas não conseguiu estar certa

há coisas que não são fáceis de entender

como será que olhava para o futuro?
antes, no passado...
antes de isto se ter passado?

quem fez isto? quem ditou as leis?
quem tomou as decisões?

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farsa

hoje sou uma farsa

(a farsa dos errados caminhos de Santiago.)

8.12.2007

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

tempos

- olá, minha querida, estás a dançar para nós?
- estou a dançar para mim
....
tantas coisas por fazer nesta lista de tarefas,
porquê esta insatisfação de imortal?
quero ser terreno, com prazeres terrenos e
a luxúria dos terráqueos

todas as canções que fizemos os dois, com braços
e pernas e gestos harmónicos
foram um improviso
extemporâneo de dois solistas do mesmo instrumento,
cujos sons vivem de desgarradas e duetos talentosos
sobre um ciclo de acordes que imaginámos sem fim.

mas não há nada sem fim, nem há improviso eterno
que não esteja condenado à repetição, ou a falhar.

agora um improviso de dois solistas talentosos
que se encontram pela pela primeira vez nas tabelaturas
de uma canção...

ahh! deixa-me viver mais para te mostrar.

7.02.2007

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