segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

hoje

de pés descalços
escorrego-os debaixo dos lençóis

está tudo negro
negro em redor, por dentro
e lá fora

inquieto, pedalo com os pés por baixo do peso dos cobertores
(como eu sob o peso dos dias)
a tristeza pesa-me nos olhos
e é por ela (não pelo sono) que os encerro

estico a mão até encontrar o teu corpo no teu lado da cama
como se emergisse das profundezas do mar em desespero
e tu fosses a mais pequena golfada de ar

sinto tanta solidão quando o mundo é tão feio

toco com a ponta dos dedos no teu corpo
e sem sequer identificar em que parte
deixo de pedalar

basta saber que estás aqui
não preciso de uma palavra que seja
toco-te e tu... creio que já dormes
mas não importa

não quero existir lá fora
esta noite só quero existir aqui

o mundo é negro lá fora
e é feio se não puder saber que
dormes aqui ao meu lado

.