olha o ponteiro dos segundos
(eu olho)
sei onde estás e o que fazes
mas ainda assim gosto de olhar o relógio no pulso.
mentira, não gosto,
mas olho
e no momento em que olho, eu não tenho alma
fugiu-me
ela é grande demais para que a tenha perdido ou
deixado nalgum lugar sem que me lembre
sei-o pelas coisas que com ela faço
mas a minha alma é estranha
porque ou está em mim ou está em ti
nunca está nas coisas.
eu acho que era normal termos a alma nas coisas:
agora no relógio, agora na sola dos sapatos, agora na chave que meto à porta
agora no isqueiro com que acendo o cigarro... olha...
agora ficava bonita neste fumo que se liberta e dança nos meus lábios
( )
(parece que escorre nas partículas do ar frio que me gela a cara e as mãos)
mas não
a minha alma ou está em mim ou em ti
nunca está nas coisas.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
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