quarta-feira, 30 de julho de 2008

nos braços de Morfeu

todo o despertar é violento
tal como toda a concepção é dolorosa
todas as manhãs são um renascer
quando a luz do amanhecer rompe as pálpebras dos meus olhos, rasgando a última tela do sonho que visiono na madrugada

acordo

a madrugada não quer saber que eu sonho
o sol não sabe nem quer saber que sonho
não importa que o saibam porque de toda a forma
me despertarão todos os dias até à minha morte

é a forma crua como me atiram para a luz
que me dói
impiedosos, violentos
o amanhecer é um ataque à traição, um golpe mesmo ao centro das costas

noites em que pediria com toda a humildade que o dia não viesse
que a manhã não viesse... talvez nunca

na vida como na morte, talvez prefira as trevas
não para esconder, mas para nas trevas me ver mais além

a noite virá sempre para acolher o meu corpo cansado
até ao dia em que será pesado demais para que desperte

e nesse dia eu venço a madrugada

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