hoje sou um caderno rasgado, onde costumavam
existir os números de telefone de pessoas que já
pouco importam. Agora pouco importam os sonhos
que viveram nas minhas páginas.
vividos, perdidos, e nenhum por chegar.
(sou os sonhos perdidos de Santiago)
por isso repouso rendido à negridão do asfalto,
onde o esquecimento me chove em gotas perseverantes,
que desbotam os números para cima do meu
branco amolecido.
as hesitações, as promessas de que fui um instrumento
(ou de que nunca cheguei a ser mas das quais certamente
fui testemunha)
(sou testemunha presencial dos sonhos perdidos de Santiago)
se me esvair junto com esta chuva, vou fundir-me nela,
vou certamente deixar
de ser o que nunca fui.
estou a desbotar para cima do meu branco.
e o tempo não para.
e os ponteiros do relógio não guardam
memórias do amanhã que podia ter sido hoje.
velha dor repetida.
2/2007
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sexta-feira, 21 de maio de 2010
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