terça-feira, 7 de dezembro de 2010

tempos

- olá, minha querida, estás a dançar para nós?
- estou a dançar para mim
....
tantas coisas por fazer nesta lista de tarefas,
porquê esta insatisfação de imortal?
quero ser terreno, com prazeres terrenos e
a luxúria dos terráqueos

todas as canções que fizemos os dois, com braços
e pernas e gestos harmónicos
foram um improviso
extemporâneo de dois solistas do mesmo instrumento,
cujos sons vivem de desgarradas e duetos talentosos
sobre um ciclo de acordes que imaginámos sem fim.

mas não há nada sem fim, nem há improviso eterno
que não esteja condenado à repetição, ou a falhar.

agora um improviso de dois solistas talentosos
que se encontram pela pela primeira vez nas tabelaturas
de uma canção...

ahh! deixa-me viver mais para te mostrar.

7.02.2007

.

1 comentário:

Anónimo disse...

Eu também quero ser terrena, com prazeres terrenos e a luxúria dos terráqueos! (Sem perder a minha condição, só a insatisfação, de imortal...)

Quero tentar não fugir de companhias e -- talvez -- aplacar a solidão que conheço! (Será a solidão que julgo conhecer apenas invenção -- criação -- minha?)

E há tanto mundo para ser ainda...

Feliz Natal, Estrangeiro! :-)