quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O homem nove dezoito

agora sou um copo de água
tão transparente e inodor como um copo de água

a àgua molda-se e esse copo vazio de sabor
a esse corpo vazio sem valor

sou um brinquedo
nada mais que um brinquedo
salobro

perco a razão de ser porque não sou o que sou
sou o desperdício de mim próprio
consumo-me sem chama e cada minuto em que não sou eu próprio, é mais um copo

preocupo-me com as estrelas e com as ondas do mar
com a chuva e os ventos que existem sem mim

sou eu por 24
as horas do dia em que me encaixo nos ponteiros do relógio de um deus indiferente
compassos de uma melodia quadrada de 1/24

(amanhã vai ser diferente)

amanhã vou ser eu sobre o tempo
porque eu sou mais que o tempo

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