de pés descalços
escorrego-os debaixo dos lençóis
está tudo negro
negro em redor, por dentro
e lá fora
inquieto, pedalo com os pés por baixo do peso dos cobertores
(como eu sob o peso dos dias)
a tristeza pesa-me nos olhos
e é por ela (não pelo sono) que os encerro
estico a mão até encontrar o teu corpo no teu lado da cama
como se emergisse das profundezas do mar em desespero
e tu fosses a mais pequena golfada de ar
sinto tanta solidão quando o mundo é tão feio
toco com a ponta dos dedos no teu corpo
e sem sequer identificar em que parte
deixo de pedalar
basta saber que estás aqui
não preciso de uma palavra que seja
toco-te e tu... creio que já dormes
mas não importa
não quero existir lá fora
esta noite só quero existir aqui
o mundo é negro lá fora
e é feio se não puder saber que
dormes aqui ao meu lado
.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
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